Resposta rápida: aprenda primeiro o hiragana. Ele é a base da frase japonesa: as partículas, as terminações dos verbos e a leitura dos kanji (o furigana) são escritas com ele. Logo em seguida vem o katakana, que tem os mesmos sons e serve principalmente para palavras estrangeiras. Os dois vêm antes do kanji.
Quase todo aluno que começa japonês comigo chega com o mesmo medo: “são três sistemas de escrita, e a estrutura não tem nada a ver com o português”. É o erro que eu mais vejo no começo. A pessoa olha para tudo ao mesmo tempo e trava antes de aprender a primeira letra.
A boa notícia é que você não precisa aprender os três ao mesmo tempo. Existe uma ordem, e ela torna o caminho bem mais leve. Gosto de lembrar aos alunos que o japonês é uma língua artística, muito bonita, e que cada sistema de escrita tem uma função clara.
Ouça a pronúncia: nos exemplos em japonês, toque no ▶. Os áudios foram gravados pelo professor Guilherme.
Para que serve cada sistema de escrita
| Sistema | Para que serve | Exemplo |
|---|---|---|
| ひらがな Hiragana | Partículas, terminações de verbos, palavras sem kanji e a leitura dos kanji (furigana) | ありがとう (arigatō, obrigado) |
| カタカナ Katakana | Palavras estrangeiras, nomes de outros países e pessoas, onomatopeias e ênfase | ブラジル (Burajiru, Brasil) |
| 漢字 Kanji | O significado das palavras: substantivos, radicais de verbos e adjetivos | 日本 (Nihon, Japão) |
Os três aparecem juntos na mesma frase. Veja:
私はパンを食べます。
watashi wa pan o tabemasu
Eu como pão.
O 私 (eu) e o 食 (comer) são kanji. パン (pão) está em katakana, porque é uma palavra estrangeira. E ela veio justamente do português! Já o は, o を e o べます, que organizam a frase, estão em hiragana.
Por que começar pelo hiragana
- Ele segura a frase. Sem hiragana, você não lê nem as partículas que mostram quem faz o quê. Veja o termo partícula no glossário.
- Você consegue escrever qualquer palavra japonesa com ele. Mesmo sem saber o kanji, dá para escrever たべます (tabemasu) e ser entendido.
- Ele é a porta para o kanji. A leitura dos kanji aparece em hiragana pequeno em cima ou ao lado do caractere, o furigana. Sem hiragana, o furigana não ajuda.
- A maioria dos materiais didáticos começa por ele. Seguir essa ordem deixa o resto do estudo mais simples.
Foi assim que eu comecei, em 2021, na graduação em Letras e no Kumon: primeiro o hiragana, depois o katakana. É a mesma ordem que sigo hoje com os meus alunos.
Quando partir para o katakana
Logo depois. O katakana tem os mesmos 46 sons do hiragana, só que com formas mais retas. Quem já domina o hiragana aprende o katakana bem mais rápido, porque só precisa associar uma nova forma a um som que já conhece.
E o brasileiro tem uma vantagem aqui: boa parte das palavras em katakana vem de línguas que você já conhece.
コーヒー ・ テレビ ・ パン
kōhī ・ terebi ・ pan
café ・ televisão ・ pão
Repare no traço ー em コーヒー: em katakana, ele indica que a vogal é longa. Um bom primeiro exercício é escrever o seu nome. マリア , por exemplo, é Maria. Veja a tabela completa na página do katakana.
As letras que mais confundem no começo
Quase todo iniciante troca os mesmos pares. Saber disso antes ajuda você a prestar atenção nos detalhes certos.
| Par | Como diferenciar |
|---|---|
| ぬ nu ・ め me | O ぬ termina com um laço; o め, não. |
| わ wa ・ れ re ・ ね ne | O começo é igual. Muda o final: わ fecha em curva, れ sai para fora e ね termina com um laço. |
| は ha ・ ほ ho | O ほ tem um traço a mais em cima. |
| シ shi ・ ツ tsu | No シ, os tracinhos ficam à esquerda e o traço longo sobe de baixo. No ツ, os tracinhos ficam em cima e o traço longo desce. |
| ソ so ・ ン n | Mesma lógica: no ソ o traço longo desce; no ン, ele sobe. |
Dica: nos pares de katakana, a diferença está na direção do traço. Por isso vale escrever à mão, na ordem certa dos traços, e não só reconhecer as letras na tela.
Um plano de quatro semanas para os dois alfabetos
Com 15 a 20 minutos por dia, este é um ritmo realista:
- Semanas 1 e 2: hiragana. Uma família por dia (cerca de cinco letras), sempre revisando as anteriores. Em uns dez dias você passa por todas e usa o resto do tempo para revisar. A tabela por famílias está na página do hiragana.
- Semana 3: katakana. O mesmo método, agora mais rápido, porque os sons você já conhece.
- Semana 4: leitura misturada. Leia palavras e frases curtas que juntem os dois, como as do começo deste artigo.
Durante todo esse tempo, evite apoiar a leitura no rōmaji (o japonês escrito com o nosso alfabeto). Ele ajuda nos primeiros dias, mas, se virar muleta, atrasa a leitura de verdade.
E o medo dos três sistemas de escrita?
É normal, e passa. A escrita é a parte que mais assusta no começo, porque é a mais visível. Mas ela é feita de peças pequenas: uma família de cinco letras por dia já é progresso.
O japonês pede persistência. Eu mesmo passei um ano inteiro sem conseguir falar, mesmo estudando. Continuei, e um dia destravou. Com a escrita é parecido: no começo tudo parece igual, e de repente você percebe que está lendo sem pensar.
Ouça o Guilherme falando sobre o começo no japonês:
E o kanji, quando entra?
Depois dos dois kana. Com hiragana e katakana firmes, você começa pelos kanji mais simples e frequentes, sempre aprendendo palavras inteiras, e não caracteres soltos. Os primeiros estão na página de kanji do N5, e o que é um kanji está explicado no glossário.
Perguntas frequentes
Dá para pular o hiragana e ir direto para o kanji?
Não é uma boa ideia. As partículas e as terminações dos verbos estão em hiragana, e a leitura dos kanji aparece em furigana, que também é hiragana. Sem ele, você não consegue montar nem ler uma frase completa.
Preciso aprender katakana para o JLPT N5?
Sim. A prova é toda escrita em japonês, sem rōmaji, e usa hiragana, katakana e kanji básicos. Veja o que cai na página do JLPT N5.
Quanto tempo leva para aprender hiragana e katakana?
Com 15 a 20 minutos por dia, cerca de um mês para os dois: duas semanas de hiragana, uma de katakana e uma de leitura misturada. O que fixa as letras é usar em palavras, não só decorar a tabela.
Posso estudar japonês só com rōmaji?
Só nos primeiros dias. Os materiais, as placas e a própria prova do JLPT não usam rōmaji. Quanto antes você trocar o rōmaji pelo kana, mais rápido sua leitura avança.
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Guilherme Dante é professor de japonês e inglês, licenciado em Letras: Português e Japonês, e cofundador e diretor pedagógico da Florescer Idiomas®. Estuda japonês desde 2021 e criou o Método Florescer®. Conheça a nossa história.
