時
Primeiros passos no japonês

Quanto tempo leva para aprender japonês?

A resposta honesta, com números: quantas horas cada nível costuma exigir, quanto isso dá em meses com a sua rotina e como foi a minha própria linha do tempo.

Por Guilherme Dante, professor de japonês · Atualizado em outubro de 2026

Resposta rápida: depende do que “aprender” significa para você. Ler o hiragana e o katakana leva cerca de um mês. Chegar ao nível básico do JLPT (N5) costuma exigir de 325 a 600 horas de estudo para quem não conhece kanji, o que dá de 11 meses a 1 ano e 7 meses estudando uma hora por dia. Para conversar no dia a dia (por volta do N3), são de 950 a 1.700 horas.

Vou começar sendo sincero com você, porque é o que eu gostaria de ter ouvido quando comecei. O japonês leva tempo. Comecei em 2021, na graduação em Letras e no Kumon ao mesmo tempo, e passei um ano inteiro sem conseguir falar.

Hoje, cerca de cinco anos depois, me considero no nível N3, a caminho do N2 (ainda não fiz a prova). Foi longo, mas cada etapa teve a sua conquista. E é isso que eu quero mostrar neste artigo: quanto tempo leva, e o que dá para fazer em cada fase.

Primeiro: o que é “aprender japonês” para você?

“Quanto tempo leva” muda muito conforme o objetivo. Estes são os mais comuns, do mais rápido ao mais longo:

  1. Ler hiragana e katakana: cerca de um mês, com 15 a 20 minutos por dia. Veja o plano em hiragana ou katakana: qual aprender primeiro.
  2. Se virar numa viagem: cumprimentar, pedir comida, perguntar o caminho. Com algumas semanas de frases prontas e pronúncia, já ajuda.
  3. Nível básico (JLPT N5): ler frases simples e entender conversas lentas do cotidiano.
  4. Conversa do dia a dia (por volta do N3): entender boa parte do que se fala no cotidiano e se expressar com mais liberdade.
  5. Trabalhar ou estudar em japonês (N2 e N1): o caminho mais longo, que leva anos.

Quantas horas cada nível do JLPT costuma exigir

A referência mais citada é um levantamento do Japanese Language Education Center, uma escola de japonês, feito com pessoas aprovadas no JLPT. Não é um número oficial da prova, e as horas foram informadas pelos próprios alunos. Mesmo assim, dá uma boa ideia da escala:

NívelSem conhecer kanji (o caso do brasileiro)Já conhecendo kanji
N5325 a 600 horas250 a 450 horas
N4575 a 1.000 horas400 a 700 horas
N3950 a 1.700 horas700 a 1.100 horas
N21.600 a 2.800 horas1.150 a 1.800 horas
N13.000 a 4.800 horas1.700 a 2.600 horas

A coluna “já conhecendo kanji” vale para quem já lê chinês, por exemplo. Para nós, brasileiros, a referência é a primeira coluna. Os números são reproduzidos na página do JLPT na Wikipédia, e o que cada nível exige está no nosso guia do JLPT.

Horas de estudo até os níveis N5, N4 e N3 do JLPT para quem não conhece kanji

Traduzindo em meses: quanto tempo com a sua rotina

Fiz a conta com a coluna “sem conhecer kanji”, contando o tempo a partir do zero. Considere tudo: aula, lição de casa e estudo sozinho.

RitmoAté o N5Até o N4Até o N3
30 min por dia1 ano e 9 meses a 3 anos e 3 meses3 a 5 anos e meio5 a 9 anos
1 hora por dia11 meses a 1 ano e 7 meses1 ano e 7 meses a 2 anos e 9 meses2 anos e 7 meses a 4 anos e 8 meses
2 horas por dia5 a 10 meses9 meses a 1 ano e 4 meses1 ano e 4 meses a 2 anos e 4 meses

Como ler esta tabela: ela mostra a ordem de grandeza, não uma promessa. Quem estuda com constância e usa o japonês desde cedo tende a ficar perto do início de cada faixa. Quem para e volta várias vezes tende a ficar perto do fim.

Por que o japonês leva mais tempo que o inglês

O Foreign Service Institute, que treina os diplomatas dos Estados Unidos, coloca o japonês na categoria mais difícil para falantes de inglês: cerca de 88 semanas, ou 2.200 horas de aula, para chegar ao nível de trabalho (fonte). Para quem fala português, a distância é parecida, porque as duas línguas não têm parentesco. Três motivos pesam mais:

  1. A escrita. São três sistemas na mesma frase: hiragana, katakana e kanji.
  2. A ordem da frase. O verbo vem no final.
  3. O vocabulário. Quase não há palavras parecidas com as nossas, fora as emprestadas, como パン (pan, pão).

watashi wa nihongo o benkyō shimasu

Eu estudo japonês. (Literalmente: “eu japonês estudo”.)

Ouça o Guilherme com esta frase:

Nada disso é motivo para desistir. É motivo para ajustar a expectativa e escolher um método que trabalhe essas três frentes juntas.

A minha linha do tempo

Conto a minha porque ela é parecida com a de muita gente que estuda do Brasil, sem morar no Japão:

Linha do tempo do professor Guilherme Dante no japonês, de 2021 ao nível N3
  1. 2021: o começo. Graduação em Letras (Português e Japonês) e Kumon ao mesmo tempo. Aprendi primeiro o hiragana, depois o katakana.
  2. O primeiro ano: travado na fala. Eu estudava, lia, fazia os exercícios, mas na hora de falar não saía. Foi a fase mais difícil.
  3. A persistência. Continuei mesmo assim, até destravar. A partir daí, fui refinando a prática com a minha própria metodologia. Ainda na faculdade, dei aulas de japonês no estágio de docência, incluindo um minicurso de hiragana.
  4. Hoje: nível estimado N3, rumo ao N2. Ainda não fiz a prova; essa é a minha avaliação a partir da faculdade e do Kumon.

Ouça o Guilherme falando sobre o começo no japonês:

Se tem uma lição que eu tiro disso, é que o japonês pede persistência. O ano em que você sente que não sai do lugar costuma ser o ano em que a base está sendo construída.

O que encurta (e o que alonga) o caminho

Encurta

  • Estudar todo dia, mesmo pouco. 30 minutos diários rendem mais do que 4 horas no sábado.
  • Usar o japonês desde cedo. Falar e escrever frases, mesmo simples e com erros.
  • Revisar no tempo certo. Rever o vocabulário antes de esquecer, e não só aprender palavras novas.
  • Ter alguém corrigindo. Um erro corrigido cedo não vira hábito.
Agenda de aluno com katakana, primeiros kanji e uma frase analisada
Agenda de um aluno do estágio do Guilherme: katakana já em frases de uso real, como コーヒーをください (“um café, por favor”), os primeiros kanji e a primeira frase analisada parte por parte.

Alonga

  • Depender do rōmaji por muito tempo.
  • Estudar kanji solto, decorando caracteres em vez de palavras.
  • Só consumir, nunca produzir: assistir e ler sem nunca falar.
  • Parar e recomeçar do zero várias vezes.

Marcos realistas para o primeiro ano

Estudando cerca de uma hora por dia, este é um primeiro ano possível:

  1. Mês 1: hiragana e katakana.
  2. Meses 2 a 6: as primeiras estruturas e o vocabulário do dia a dia, com as partículas básicas. Veja a gramática e o vocabulário do N5.
  3. Meses 7 a 12: leitura de textos curtos, os primeiros kanji e conversas simples sobre você e a sua rotina. No fim do ano, você está perto do N5.
Caderno de japonês do aluno Caio De Marco com frases de setembro e outubro
Caderno digital do Caio De Marco, aluno da Florescer. Em 24 de setembro, frases só em hiragana, como いすがあります (“tem uma cadeira”). Cinco dias depois, os primeiros kanji com furigana, como 毎日、日本語を練習します (“pratico japonês todos os dias”).

Perguntas frequentes

Dá para aprender japonês em 6 meses?

Dá para aprender os dois alfabetos, frases de sobrevivência e a base da gramática. Chegar ao N5 em 6 meses só é realista com um ritmo forte, por volta de 2 horas por dia. Fluência em 6 meses, não.

Quanto tempo leva para passar no JLPT N5?

Para quem não conhece kanji, a referência é de 325 a 600 horas de estudo. Com uma hora por dia, isso dá de 11 meses a 1 ano e 7 meses. Veja o que cai na prova na página do JLPT N5.

O japonês é mais difícil que o inglês para brasileiros?

Leva mais tempo, principalmente por causa da escrita e da ordem da frase. Mas a pronúncia costuma ser amigável para quem fala português: as vogais são parecidas com as nossas.

Estudar sozinho demora mais do que com professor?

Dá para avançar sozinho, principalmente na leitura. O que costuma atrasar quem estuda sozinho é a fala e a correção dos erros. Foi exatamente onde eu travei no primeiro ano.

Quer encurtar esse caminho?

Nas aulas da Florescer, o plano parte do seu objetivo e do tempo que você tem por semana, com correção e prática de fala desde o início. Aulas particulares (VIP) por R$ 357 ou em grupo por R$ 247, em ciclos de 3 meses.

Sobre o autor

Guilherme Dante é professor de japonês e inglês, licenciado em Letras: Português e Japonês, e cofundador e diretor pedagógico da Florescer Idiomas®. Estuda japonês desde 2021 e criou o Método Florescer®. Conheça a nossa história.